Waldo Vieira
responde a dúvidas sobre fraudes e Chico Xavier e Otília Diogo

Caricatura do Chico Xavier
Neste vídeo Waldo Vieira confirma que Chico
Xavier fraudava sessões de materialização e não garante a autenticidade das
materializações de Uberaba ocorridas em 1964. Pelo contrário, deixa claro que
houve fajutagem revelada pelas fotos. Insiste, entretanto, que havia mediunidade
autêntica em Chico e que ele fez um excelente trabalho de consolação. Antonio
Pitaguari foi quem gentilmente fez as perguntas. Waldo pareceu bem sincero e
está disposto a responder qualquer pergunta. É só acessar http://tertuliaconscienciologia.org/
, que ele esta lá debatendo suas idéias com o pessoal do CEAEC. É ao vivo,
diariamente das 12h30min às 14h30min, inclusive sábados, domingos e feriados. É
só enviar seu questionamento on-line, que ele responde.
Antonio Pitaguari: Waldo, aqui em cima…
professor, em resultados dos processos em comemoração do Chico Xavier, eu recebi
duas perguntas de duas pessoas. Tentei responder, mas voltaram novas perguntas,
então achei melhor talvez fazer essas perguntas aqui e depois pedir para essas
pessoas assistirem aí o vídeo da Tertúlia. A 1ª seria sobre a Otília Diogo que
foi aquela médium lá dos eventos de Uberaba de 1964. Então a pergunta seria: ela
era uma médium autêntica? E aqueles eventos? Eles foram reais ou foram
fraudulentos?
Waldo Vieira: O caso todo é o seguinte, deixa eu explicar. Essa Otília Diogo não
era conhecida nem do Chico nem de mim. Aí teve uma revista, aquelas tipo “Fatos
e Fotos”, uma coisa dessas… que trouxe uma reportagem sobre o caso dela e a
freira que estava materializada segundo eles. Eu examinei aquilo e falei assim:
‘É difícil de a gente admitir isso aqui, hein?’ – falei com o Chico. O Chico
falou assim: ‘Que tal a gente fazer pesquisa dessa também? Vamos fazer pesquisa
dela.’ E assim vamos. Nós estávamos no Rio. Eu comprei a revista (…) Então nós
temos que ir embora para Uberaba para fazer o teste, entrar em contato com essa
senhora, saber quem é, como é que é pra fazer o teste. Agora, com isso nós não
falamos nem que ela era fajuta nem que era real. Você está entendendo? Nós
queríamos era fazer pesquisa. Eu vivia de fazer pesquisa de médium de tudo que
era jeito. Do jeito que eu tava falando aqui ó… eu nunca falei das pesquisas que
eu fiz por exemplo com médiuns psicógrafos. Um monte deles. E muita bobagem,
muita coisa certa [?] que a gente pescou com isso. Agora então veja: a partir
disso então o que é que nós fizemos? Pegamos as malas e voltamos para Uberaba, e
lá começamos a articular o povo, começamos a entrar em contato com essa senhora
para ver se ela topava fazer uma pesquisa junto com os médicos que eram meus
amigos. Eu tinha 17 médicos que trabalhavam comigo nessas pesquisas. 17. Aí
então a gente faz. Mas, uma amiga do Chico, que era repórter, ficou sabendo que
nós estávamos fazendo aquilo, e disse assim: ‘A Cruzeiro pode ir aí? Com tudo
que é aparelhagem?’ Falou assim ó: Seria bom vocês arranjarem infra-vermelho,
tudo aquilo que eu mesmo já sabia, que a gente já usava, aquelas coisas todas.
Já tinha gente pra tirar fotografia tipo infra-vermelho, aquele negócio. Falei
assim, ó: Nós topamos tudo, nós queremos fazer uma pesquisa. Aí abri o meu
consultório, fomos arranjar um aparelho de ar condicionado importado para
colocar lá, para abaixar a temperatura, para ajudar. Mas eu falei: ‘Primeiro eu
quero examinar a senhora, vamos ver quem é.’ Então ela veio com o marido dela,
um marido muito simples, uma pessoa muito boa, digna, lá, com um negócio junto
com ela… E a gente examinou. Eu examinei a moça e disse: ‘Olha, ela é ectoplasta,
realmente é. Agora, sobre o fenômeno, vamos examinar para ver o que é que é. Aí
fizemos a pesquisa. Foi feita lá. Tinha 6 repórteres lá do Cruzeiro. Quando
acabou o negócio, eu quis ouvir cada um deles. Rapidinho ali. Tinha uns falando
assim: ‘Realmente há algumas coisas estranhas nela’. Agora eu falei pra turma:
‘Mas vocês tiraram as fotos. Eu to interessado é nisso. Ela é fajuta ou não é?
Vamos ver como é que é esse negócio. Porque o processo todo é esse. Vamos ver
como é que é isso. Isso de aparecer aqui vocês sabem. Eu sei como é que é esse
processo de fajutagem, o que tenho mais visto aqui é médium farsante
mistificador. Então eu saio um ou dois dias depois daquilo, e esse repórter
amigo do Chico chama ele lá e me chama ao telefone, e fala pra mim assim:
‘Waldo, nós examinamos, tem muita coisa, há fajutagem mesmo, o negócio lá tem
fotografia que não tá certo, etc e tal. Então nós agora podemos falar. Não, mas
o melhor é você não falar pelo seguinte: o Cruzeiro resolveu vender a revista
através disso. Eles vão fazer um escândalo, vão fazer uma tempestade
publicitária. Eles não vão fazer isso em cima do Chico porque o Chico é um mito.
Naquela ocasião a Brigitte Bardot vinha para Cabo Frio aquele negócio. Ele falou
assim: ‘É que nem a Brigitte que ta chegando aí. A gente não vai combater a
Brigitte, tem que falar a favor dela. Do Chico é a mesma coisa. Agora, se nós
precisarmos falar, Waldo, nós vamos falar sobre você. A tempestade vai ser sobre
você, porque você é que é o dono do consultório, você que articulou tudo para
fazer a experiência. Aí eu falei com ele: ‘Vem cá, você sabe bem o que você está
falando, a desonestidade da situação? ‘Sei, mas veja, ô Waldo, eu aqui dentro eu
sou só um. São eles que decidiram fazer isso, eles vão fazer um escândalo, não
tem jeito… E como é que vai ser? Ele: A turma acha que é melhor vocês dois
sumirem. Durante uma temporada você desapareça. Porque vai ser uma tempestade em
cima do processo, e nós vamos usar muito o seu nome nessa história toda pra
saber. Agora, a hora que ele falou isso o Chico ta lá e eu repetindo os negócios
tudo com Chico, a gente em Uberaba, eu viro pra ele quando aquilo muda assim,
nubla tudo na minha frente, eu vejo o que vai acontecer com ele, e aí eu comecei
a falar pelo telefone: ‘Escuta, eu estou vendo aqui o que vai acontecer. Vocês
vão vender muita revista, mas não vai ficar pedra sobre pedra. Todos vocês, vai
haver briga, vai haver processo, olha do jeito que eu estou vendo (num) vai
ficar pedra sobre pedra, até morte é capaz de acontecer com isso. Estou vendo
coisas horríveis nesse processo. Com isso eu não quero ser a Cassandra do Terror
nem Boca de sapo, mas estou vendo a coisa na minha frente, veja bem o que vocês
vão fazer. ‘Waldo não adianta nada eu falar essas coisas para esse povo que eles
não admitem isso, eles querem é vender revista.’ Agora o que é que acontece? A
partir daquilo então eles publicaram 14 edições sobre o assunto, entende? A 1º
edição tinha até na capa a fotografia. Eles deixando o negócio na dúvida para
ver como é que era para causar celeuma. E nós sumimos. Nós
fomos para uma fazenda no sul de Goiás de um amigo nosso e ficamos lá. De cara
ficamos lá quase 10 dias. Fazenda da Madeira, na área da Madeira, no sul de
Goiás. Depois nós viajamos para outro lugar para não aparecer porque era uma
bagunça a situação toda. Aí começaram as brigas todas do processo, já
sabíamos o que é que era. Nem o Chico nem eu nunca falamos o que é que tinha
naquilo. Agora, o que é que se passa? Depois disso, a gente viu a moça e ela
subiu vinho, porque ela ficou conhecida no Brasil e até no exterior com aquilo.
Foram vendidas das revistas 14 milhões 550 exemplares. Eu tenho as revistas tudo
guardadas com uma boa parte delas aí, com alguns exemplares… Outra coisa também,
aquilo durou 4 meses. Foi de fevereiro até mais ou menos maio-junho de 1964. A
tempestade continuou. Eu nunca falei nem a favor nem contra. Deixamos o negócio
para ver o que acontecia. Agora eles eram o cão danado que na época que o cara
falou, falou assim: ‘Ó, tão me falando aqui pra te dizer, Waldo, que isso vai
ser bom pra você. Você é uma pessoa que não é conhecida, você vai ficar
conhecido até no exterior. Agora veja a imoralidade deles: se eu fosse entrar
naquilo, o que é que ia acontecer? Eu tinha que combater todo mundo. Todos os
repórteres, a situação toda, eu ia lutar contra o condomínio acionário, aquele
povo todo, tinha até senador no meio deles, você sabe que depois teve até morte,
teve um tal Baldarta [?] que saiu disso aí, que mataram o cara que não sei o
quê, do jeitinho que eu falei. Aquilo passou alguns poucos anos depois, eu vi
que o negócio desmoronou tudo, acabou a revista, acabou tudo. Tudo foi por causa
dessa fajutagem. Agora, conclusão: a moça tinha efeito físico, mas ela fraudava.
Você quer ouvir a conclusão. Ela fraudava sim. E depois
ela ficou doida para arranjar namorado. Teve isso também depois. Ela
estava interessada em homem. O marido dela era um grande cara. Eu gostei tanto
do marido dela com essa coisa toda que uma vez me deram terno de linho 120, 120
é aquilo que falam, tem 120 linhas por cm2, e como tinha mais ou menos o mesmo
biótipo que a minha, eu vi que ele estava precisando de uma apresentação de uma
coisa que ele ia fazer, eu dei o meu terno para ele. Para vocês terem uma idéia.
O Chico falou, ‘Uai, você vai dar meu filho esse terno fora de série que você
ganhou’, falei assim, ‘Ô Chico, eu não preciso usar esse terno, agora ele
precisa, tem fazer uma apresentação’. Ele ficou felicíssimo com meu terno de
linho 120, lógico, branco, fora de série. Nunca pude esquecer isso. Agora, a
mulher a gente viu que ela tava [faz sinal de biruta], ficou toda… e o negócio
piorou mais depois.
Antonio Pitaguari: A segunda pergunta seria sobre o processo das eventuais
fraudes que o Chico Xavier teria cometido. Além da…
Waldo Vieira: Isso aí é outra coisa. O Chico gostava de fazer pesquisa com as
outras pessoas. Foi isso que nós estávamos fazendo com essa Otília Diogo, você
está entendendo? É outra coisa. Você sabe que esse negócio da Otília Diogo
escreveram livros, muita gente pra defender a gente, todo mundo… a nossa
intenção não era nada com aquele negócio. Você vai pesquisar um médium, você
responde por aquilo que você vê na hora. Eu (…) você não tem nada a ver com
isso. Agora, se você não pegar tudo que é médium que aparece, você não pesquisa
ninguém. Você vai pegar 10 médiuns, às vezes 8 deles fraudam. Que é que é? Você
está pesquisando, você mete o pau. Eu mesmo depois eu fiz pesquisa, depois que
deixei o movimento espírita, com dezenas de médiuns. Fui até para ver o Adepaua
[?] lá nas Filipinas. O povo não entende nada disso, eles não sabem de minha
vida. Agora o que é que se passa: Eu vi, por exemplo, o Thomas Green Morthon. O
homem tem um ectoplasma fora de série, mas ele também fraudava. E daí? O
Mirabelli foi fora de série, um dos maiores médiuns que o Brasil já teve, eu
estudei tudo sobre Mirabelli. No fim da vida estava fraudando. Como é que é
isso? Então você tem que ver. Agora, eu sigo e até esse povo precisa de ouvir é
isso, que Allan Kardec falou mais ou menos uma sentença da
seguinte maneira: ‘O ideal é a pessoa rejeitar 99 verdades a aceitar uma
mentira.’ Isso é que era o medo. Isso aí me ensinaram nas aulas de moral
cristã, no catecismo espírita. Eu nunca pude esquecer. Eu sempre tive uma
verdadeira antipatia pelo processo da mentiraria. Eu sempre combati isso. Agora,
o que é se passa com o Chico? Eu não conhecia bem o Chico, aquilo foi se
desenvolvendo, aquela situação toda… Mas quando eu chamei ele, eu já tinha feito
algumas experiências com ele na questão da psicografia. Mas aí o que é que se
passa? Ele quando a gente instalou tudo, já tinha comunhão espírita cristã em
Uberaba, a gente já tinha uma casa, aquela coisa toda, minha mãe estava lá,
ajudava a gente. Naquela ocasião tinha até a Ana, que fazia comida para a gente,
era fora de série. O que é que se passa? Eu vi que ele estava fazendo umas
sessões que eu não participava, que eram as sessões da Scheila, eu chamava.
Sessões e às vezes eles falavam os perfumes da Scheila. Eu falei assim: ‘Ó, eu
não vou nisso porque é ele quem está fazendo’. Eu não via que o Chico tivesse
odorização, que é esse fenômeno, e nem que ele tivesse esse nível de capacidade
de ectoplasmia dos outros médiuns. Eu nunca vi isso nele. Então eu nunca
participei daquilo. Mas, um dia, como era casa, aquele negócio todo, um dia ele
saiu para colocar um negócio no correio, não sei o que na cidade, eu estava
atendendo os outros, quando acabei de atender fui em casa, cheguei no armário
dele estava com a porta aberta, eu então fui lá para
fechar a porta do armário. A hora que fui fechar a porta do armário, eu vi um
saco cheio de frasco. Eu pensei assim: ‘Que é que é
isso?’. Aí fui olhar tava com aquele cheiro de rosas. Aí fui olhar o que é que
era, como é que era o troço, tinha um monte de frascos, tinha alguns que tavam
cheios, tinha muitos que estavam vazios. Aí comecei a analisar o negócio. ‘Eu
não to entendendo o que o Chico faz com isso, como é que eu nunca vi essas
coisas’. Aí examinei tudo, tipo detetive, caladinho, em casa, vendo o que
é que é que se passava, e chamei ele lá, depois que eu verifiquei tudo. Ele
arranjava os frascos – presta atenção – e hoje aí na internet, tem lá um cara
que viu isso também, escreveu lá, naqueles casos lá que me deram aí sobre os
blogs, o povo, tem um cara lá que tá falando a mesma coisa que eu vi. O problema
é o seguinte. O que é eu averigüei na ocasião? Que ele usava os perfumes que
eram comprados na Veado D’Ouro, em São Paulo. O perfume era de rosa. Rosa era o
perfume dessa ex-enfermeira da guerra, que era a Scheila, a irmã Scheila, como
eles chamavam. Agora, o que é que se passa? Existe um
pequeno objeto que coloca perfume dentro, você aperta assim aquilo exala na
hora. Tudo indica que era o que ele usava lá na
história. Agora o que era o vidro que ele usava, é que ele depois pegava aqueles
frascos e jogava nos barrancados da mata do carrinho que tinha lá até hoje.
E que esse homem falou é que ele é que era um dos taxistas
que levava o Chico para jogar fora. E ele foi lá e foi examinar lá e viu
que era tudo Veado de Ouro, os frascos, os perfumes tudo de rosa, ficou
impregnado, cheirava tudo o negócio. Agora o que é que é que se passa? A hora
que eu vi aquilo tudo, eu então chego para o Chico: ‘Olha, eu quero combinar uma
coisa com você.’ Eu já tinha um trato com ele, eu ia trabalhar, ia ajudar tudo,
para expandir as coisas dele toda, mas ele já sabia que eu
era contra tudo quanto era mistificação e farsa. Eu não tinha
temperamento, eu tinha verdadeira idiossincrasia a esse processo. Eu já sabia
porque eu só estudava fenômeno desde pequeno. Esse negócio das 99 verdades e uma
mentira, eu já falava isso todo dia. Ele sabia. Aí o Chico
na minha frente começou a chorar. Eu disse: ‘Olha,
Chico, eu não quero fazer você chorar. A única coisa que eu te peço é o
seguinte, a minha intenção não é essa, eu nunca mais vou fazer advertência
nenhuma nem combinar com você qualquer coisa aqui, mas tem uma coisa: eu nunca
vou participar dessas sessões. Você pode fazer o que você quiser, nessas eu não
entro. Ai ele disse assim: ‘mas meu filho, eu não posso desencorajar essas
pessoas, todas elas confiam, isso aí ajuda tanta gente com essa situação toda’.
Eu falei assim: ‘Chico, você é autêntico nessas suas psicografias, nas coisas
que nós recebemos, o negócio todo, não precisa disso. As suas ciências são muito
avançadas, esses espíritos desencarnados são bons, são bem-intencionados. A
gente não precisa ficar fazendo fajutagem, sujeira nessa história. Pra quê uma
farsa nesse negócio? Aí falou assim: ‘Não, mas esse povo,
eu não consigo viver sem esse processo.’ Aí eu falei, assim: ‘Então, ó,
você segue, nessa eu não estou. Agora isso, quando aconteceu, eu já estava
instalado em Uberaba, ele ainda fez muitas sessões da Scheila enquanto eu ainda
estava lá. Vocês nunca viram fotografia minha com qualquer sessão dessa com ele
da Scheila. No entanto, as outras sessões públicas de psicografia, tem milhares
delas por aí, porque dessas eu participava. Agora, o que é que se passa? Uma
coisa é o Chico Xavier com esse processo de mistificação a respeito, porque ele
queria ajudar os outros. A intenção dele era boa, mas ó: não tinha discernimento
nenhum. É aquilo que nós estávamos falando. E outra coisa: ele participar sem
[?] os outros médiuns. Ele fez pesquisa com Peixotinho, que era autêntico, que
tinha ectoplasmia, tudo isso. Ele fez com muitos outros. Ele viu muito processo
de efeitos físicos com outras pessoas. Agora o problema é esse termo. O povo aí
na internet está pensando que as duas coisas é uma coisa só, não tem nada que
ver, são coisas diferentes. Agora o que é que se passa? Eu a partir daquele dia,
eu vi e falei assim: ‘Eu não posso confiar nas coisas todas dele. Eu vou ajudar
em tudo que eu posso até o dia que eu vou deixar tudo isso.’ Naquela ocasião ele
já sabia. Porque quando nós começamos a trabalhar eu falei com ele: ‘Você não
espere que eu vou ficar o resto da vida com você.’ E eu ainda falei com ele bem
claro a situação da seguinte maneira. Ele admitiu tudo isso. Agora eu penso que
lá no fundo ele esperava que eu fosse mudar com o tempo, devido à parafernália
daquele monte de gente, a liderança do trabalho de assistência nossa, aí eu
falei assim ó: não vou. O meu problema é estudar o processo de fenômenos tendo
base científica, ver o caso de discernimento, de racionalidade, de lógica, eu
quero é ver por esse aspecto porque a ciência é o menos pior dessas linhas de
conhecimento todas que têm por aí. Não é nem a filosofia e nem a religião para
mim, nem a arte. O processo é a ciência. Então eu falei com ele, a minha
diferença, o meu argumento com ele, ele me reconheceu na seguinte maneira. Falei
assim: ‘ó, Chico, veja bem você. Você, eles te chamam de Chico Xavier. Você não
fez nem o curso primário. Agora eu não, eles me chamam de Waldo Vieira, é o nome
inteiro. Eu não tenho apelido aqui. Outra coisa: estou terminando meu segundo
ano de curso superior. A minha responsabilidade nessa minha vida é enorme. Você
não tem. Você não chegou a estudar. Você pode fazer essas tuas coisas do jeito
que você quer aí e tudo pela tarefa da consolação. Agora eu não estou nessa. Eu
tenho que entrar na tarefa do esclarecimento. São dois cursos superiores, eu
tenho que responder por isso. Como é que fica a minha correlação de vida? Como é
que fica isso? ‘Então – eu comecei a falar para ele – olha, o Espiritismo fala
muito da tarefa da consolação. Eu sou da tarefa do esclarecimento. Não adianta
esse povo torcer a barra e dizer que o Espiritismo está fazendo tarefa do
esclarecimento. Não está. Na hora em que você pode fraudar nas sessões da
Scheila mostra que não tem esclarecimento nisso. Então as 99 verdades e uma
mentira já foi pro espaço há muito tempo. Allan Kardec tá no buraco há muito
tempo. Essa é a minha realidade com o Chico. Agora veja, eu tô calado esses anos
todos, enquanto ele viveu eu estou aí, eu falei pra ele, ‘Eu não vou falar nada
disso. Agora, se amanhã começarem a vir em cima de mim para falar, você sabe, eu
vou ser obrigado a abrir o jogo nessa história toda.’ É o que está acontecendo
agora. Vieram em cima de mim depois no centenário, o homem já ressomou faz 8
anos, essa situação toda ele já tá bem… ele cumpriu as coisas que ele queira, eu
cumpri a minha tarefa com ele, que era de melhorar o processo da vida dele, de
tirar o maior escândalo dele. Esse povo todo tá fazendo isso, tá fazendo filme,
fazendo livro, fazendo reportagem, fazendo artigo de tudo quanto é jeito aí. A
maioria tá evitando que eu tirei o Chico da pior condição que ele estava da vida
dele, sobre o escândalo, chorando de dia e de noite lá comigo. Eu levei pra
Uberaba, fui eu que levei. Os primeiros nove postos que levaram para lá eu tirei
dinheiro do meu bolso para fazer aquilo. Eu não tinha muito dinheiro. O povo não
sabe disso, mas os amparadores sabem. Emmanuel sabia disso, [Escotor?] sabia
disso, por isso que me deram força. Agora, veja, esse povo tudo aí interpretando
as coisas ao modo deles. Não viveram nada, não viram nada, não estudaram nada.
Agora veja, tá tudo igual no tempo do Cruzeiro. Eu acho que o Cruzeiro virou
escola. Uma escola de mentiraria. Tudo criado por eles. Uma vergonha aquilo tudo
que eles fizeram.
http://obraspsicografadas.haaan.com
Publicado: http://www.arcanjomiguel.net |