Qual teria sido a prova a que foram
submetidos os anjos?
e qual teria sido o pecado dos que
sucumbiram à prova?
Um pecado de soberba.
Acredita-se comumente que tenha sido um
pecado de orgulho, de soberba, pois a Escritura diz que “foi na soberba
que teve início toda a perdição” (Tob 4, 14).
Santo Atanásio (séc. IV) o afirma
explicitamente:
"O grande remédio para a salvação da alma é
a humildade. Com efeito, Satanás não caiu por fornicação, adultério ou
roubo, mas foi o seu orgulho que o precipitou ao fundo do inferno.
Porque ele falou assim: "Eu subirei e colocarei meu trono diante de Deus
e serei semelhante ao Altíssimo" (Is 14, 14). E é por essas palavras que
ele caiu e que o fogo eterno se tornou sua sorte e sua herança”. (Apud
Card. P. GASPARRI, Catechisme Catholique pour Adultes. p. 345.)
Em que teria consistido essa soberba?
Segundo São Tomás de Aquino, essa soberba
consistiu em que os anjos maus desejaram diretamente a bem-aventurança
final, não por uma concessão de Deus, por obra da graça, e sim por sua
virtude própria, como mera decorrência de sua natureza. Desse modo,
quiseram manifestar sua independência em relação a Deus; eles recusaram
assim a homenagem que deviam a Deus como seu criador e desejaram
substituir-se a Ele e ter o domínio sobre todas as coisas: ser como
deuses (cf.Gen 3,5).
São Tomás faz igualmente referência à
seguinte passagem de Isaías — referente ao rei de Babilônia, mas
geralmente aplicada a Satanás — para ilustrar o pecado dele e dos anjos
maus que o acompanharam na revolta: “Como caíste do céu, ó astro
brilhante [em latim: “Lúcifer”J, que, ao nascer do dia brilhavas? ...
Que dizias no teu coração: ... serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14,
13-14).
O pecado de Lúcifer e dos anjos que se
revoltaram com ele teria sido, pois, um pecado de soberba, ou seja de
complacência na própria excelência, com menoscabo da honra e respeito
devidos a Deus.
Estes elementos se encontram em todo pecado
— explica o Pe. Bujanda — pois quem ofende a Deus prefere a própria
vontade, em vez da vontade divina, e nela se compraz.
Revelação da Encarnação
Não está formalmente revelado no que
consistiu exatamente a prova dos anjos; os teólogos fazem hipóteses
teológicas, como a de São Tomás, exposta acima.
Francisco Suárez, teólogo jesuíta do século
XVII, levanta outra hipótese: a prova dos anjos teria consistido na
revelação antecipada por Deus, da Encarnação do Verbo. Os anjos maus se
teriam revoltado contra a submissão em que ficariam em relação à
natureza humana do Verbo Encarnado, a qual, enquanto natureza, seria à
natureza angélica.
Uma variante dessa hipótese é a que afirma
que Lúcifer e os anjos revoltados não quiseram submeter-se à Mãe do
Verbo Encarnado, pela sua dignidade ficaria colocada acima dos próprios
anjos, embora inferior a eles por natureza.
Essa hipótese, entretanto, está ligada a uma
outra questão: se o Verbo se teria encarnado mesmo sem o pecado de Adão.
Suárez, com algumas adaptações, segue a opinião de Duns Escoto e de
Santo Alberto Magno, a qual sustenta que sim; São Francisco de Sales
também participa dessa opinião.
São Tomás, porém, é de outro parecer.
Argumenta ele:
"Seguindo a Sagrada Escritura, que por toda
a parte apresenta como razão da Encarnação o pecado do primeiro homem, é
conveniente dizer-se que a obra da Encarnação está ordenada por Deus
como remédio contra o pecado. De tal modo que, se não existisse o pecado
não teria havido a Encarnação, embora a potência divina não esteja
limitada pelo pecado, podendo, pois, Deus encarnar-se, mesmo que não
houvesse o pecado” (Suma Teológica, 3, q. 1, a. 3.)
São Boaventura reconhece que a opinião de
São Tomás é mais consoante com a Fé, enquanto a outra favorece mais a
razão. (In III Sent.,Dist.I,a.2,q.2.)
Embora ambas as opiniões sejam sustentáveis,
o comum dos Doutores acha que a hipótese de São Tomás é mais provável,
sendo predominante entre os Santos Padres.
Santo Agostinho afirma: “Se o homem não
tivesse caído não se teria feito carne” (Serm. 174,2.)
Em favor dela fala igualmente o Símbolo dos
Apóstolos, isto é, o Credo, quando proclama: “O Qual [o Verbo], por nós
homens, e por nossa salvação, desceu dos céus “. Também a liturgia
pascal, que canta: “Ó culpa feliz, que nos mereceu um tal Redentor!"
O Pe. Christiano Pesch S.J. diz que a
posição tomista de tal modo se tornou comum, que hoje há poucos
defensores da esposada por Suárez, quanto à Encarnação do Verbo.
Daí decorreria que a hipótese de Suárez com
relação ao pecado dos anjos ficaria também prejudicada. (C. PESCH 53, De
Angelis, III, p. 71; cf. também Mons. P. PARENTE. Incarnazioni, col
1.751; I. SOLANO, De Verbo incarnato, pp. 15-24).)
A obstinação dos demônios.
Nós homens temos certa dificuldade
psicológica em compreender que os demônios, por um só pecado, tenham
sido condenados eternamente, enquanto Adão e Eva puderam ser perdoados.
Por isso, desde os primeiros tempos do Cristianismo, não faltaram
autores que sustentaram a possibilidade de reconciliação dos anjos
decaídos com Deus.
Essa doutrina foi condenada pela Igreja e
São Tomás explica a razão pela qual isso não é possível: em primeiro
lugar porque a prova a que os anjos foram submetidos, a fim de merecerem
a bem-aventurança eterna, teve para eles o mesmo efeito que tem para nós
homens a morte; ou seja, encerra o período em que podemos adquirir
méritos, e nos introduz na vida eterna, imutável por natureza. Os anjos
bons, tendo sido fiéis, passaram a gozar da bem-aventurança eterna; os
anjos maus ou demônios foram precipitados no inferno por toda a
eternidade.
Em segundo lugar, por causa da natureza
angélica: os anjos, uma vez feita uma escolha, não podem voltar atrás,
seja para o bem, seja para o mal. Porque eles não estão sujeitos à
mobilidade das paixões humanas, sua inteligência é perfeita, de modo que
eles não podem fazer escolhas provisórias, como o homem. Antes de fazer
uma escolha, o anjo é perfeitamente livre; feita esta, sua vontade adere
a ela para sempre, pois todas as razões que o levaram a fazer essa
escolha já estavam perfeitamente claras para ele antes que a fizesse.
Fonte:http://www.arcanjomiguel.net
Para
ajudar a manter o site do Movimento Combatentes com São Miguel
Arcanjo , colaborando com os custos de hospedagem, internet,
registros, contratação de ferramentas de software, editoração,
digitação, tradução, atendimento e trabalhos técnicos. Para
ajudar a expandir e a divulgar, contribuindo para que se possa
melhorá-lo cada vez mais e para que atinja cada vez mais aos
lares das famílias.
Agradecemos de coração,
desde já sua ajuda, que
é de suma importância
para continuação do
trabalho que
desenvolvemos. [ A
evangelização ] Não há
valor mínimo, nem
máximo, para sua ajuda.
Colabore com uma quantia
que não faça falta para
você. Para nós, toda
ajuda é bem-vinda. Deus
lhe pague!