Pequeno
exorcismo de São Miguel Arcanjo (Miryam
Rios)
3.3 – João Paulo II.
Alocução do dia 24 de maio de 1987 no Santuário de
São Miguel Arcanjo
e publicada no L’osservatore Romano, ed. Port. no dia 31 de
maio 1987.
Caríssimos irmãos e irmãos:
1. Estou feliz de me encontrar no meio de vós à sombra deste
santuário de
São Miguel Arcanjo,
que há quinze séculos é meta de peregrinações e ponto de
referência para quantos procuram a Deus e desejam pôr-se no
seguimento de Cristo, por meio de quem “foram criadas todas
as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis,
os Tronos, as Dominações, os Principados e as Potestades”(Cl
1,16).
Saúdo cordialmente todos vós, peregrinos, aqui vindos das
cidades que circundam este magnífico promontório do Gargano,
que oferece ao olhar do visitante enlevos deliciosos com a
sua paisagem suave, florida, e com característicos grupos de
oliveiras que se debruçam sobre a rocha. Saúdo em particular
as autoridades civis e religiosas, que contribuíram para
tornar possível este encontro pastoral; saúdo o Arcebispo de
Manfredônia, Mons. Valentino Vailati, a quem se dirige o meu
agradecimento, pelas palavras com que se dignou introduzir
esta manifestação de fé. Saúdo também e sobretudo os Padres
Beneditinos da Abadia de Montevergine, que têm cuidado
especial deste Santuário. A eles, e de modo especial ao seu
Abade, Dom Tommaso Agostino Gubitosa, exprimo a minha
gratidão pela animação cristã e pelo clima espiritual que
por eles são assegurados a quantos aqui vêm para retemperar
o seu espírito nas fontes da fé.
2. A este lugar, como já fizeram no passado tantos
predecessores meus na Cátedra de São Pedro, vim também eu
gozar um instante da atmosfera própria deste Santuário,
feita de silêncio, de oração e de penitência; vim para
venerar e invocar o
São Miguel Arcanjo,
para que proteja e defenda a santa Igreja, num autêntico
testemunho cristão, sem compromissos e sem acomodamentos.
Desde quando o Papa Gelásio I concedeu, em 493, o seu
assentimento à dedicação da grutas das aparições do
São Miguel Arcanjoa
lugar de culto e aqui realizou a sua primeira visita,
concedendo a indulgência do “Perdão angélico”, uma série de
Romanos Pontífices seguiu os seus passos para venerar este
lugar sagrado. Entre eles recordam-se Agapito I, Leão IX,
Urbano II, Inocêncio II, Celestino III, Urbano VI, Gregório
IX, São Pedro Celestino e Bento XV. Também numerosos Santos
aqui vieram para haurir força e conforto. Recordo São
Bernardo, São Guilherme de Vercelli, fundador da Abadia de
Montevergine, São Tomás de Aquino, Santa Catarina de Sena;
entre estas visitas, permaneceu justamente célebre e ainda
hoje continua viva a que foi realizada por São Francisco de
Assis, que veio aqui para preparar para a Quaresma de 1221.
A tradição diz que ele, considerando-se indigno de entrar na
gruta sagrada, se teria detido na entrada, gravando um sinal
da cruz numa pedra.
Esta viva e jamais interrompida freqüência de peregrinos
ilustres e humildes, que desde a alta idade Média até os
nossos dias fez deste Santuário um lugar de encontro, de
oração e de reafirmação da fé cristã, diz quanto a figura do
Arcanjo Miguel, que é protagonista em tantas páginas do
Antigo e do Novo Testamento, é sentida e invocada pelo povo,
e que é apresentado na Bíblia como o grande lutador contra o
Dragão, o chefe dos Demônios. Lemos no Apocalipse:
“Travou-se, então, uma batalha no Céu: Miguel e os seus
Anjos pelejavam contra o Dragão e este pelejava também
juntamente com seus anjos. Mas não prevaleceram e não houve
mais lugar no Céu para eles. O grande Dragão foi
precipitado, a antiga serpente, o Diabo, ou Satanás, como
lhe chamou, sedutor do mundo inteiro, foi precipitado na
terra, juntamente com seus anjos” (Ap 12, 7-9). O autor
sagrado apresenta-nos nesta dramática descrição o fato da
queda do primeiro Anjo, que foi seduzido pela ambição de se
tornar “como Deus”. Daqui a reação do
São Miguel Arcanjo,
cujo nome hebraico “Quem como Deus?” reivindica a unicidade
de Deus e a sua inviolabilidade.
3 . Por mais fragmentárias que sejam as notícias da
Revelação sobre a personalidade e o papel de
São Miguel Arcanjo
são muitos eloqüentes. Ele é o Arcanjo(cf. Jd 1,9) que
reivindica os direitos inalienáveis de Deus. É um dos
príncipes do Céu posto como guarda do Povo Eleito(cf. Dn
12,1), de onde virá o Salvador. Ora, o novo povo de Deus é a
Igreja. Eis a razão pela qual ela o considera como próprio
protetor e defensor em todas as suas lutas pela defesa e a
difusão do reino de Deus na terra. É verdade que “as portas
do inferno nada poderão contra ela”, segundo a afirmação do
senhor(Mt 16,18), mas isto não significa que estamos isentos
das provas e das batalhas contra as insídias do maligno.
Nesta luta o Arcanjo Miguel está ao lado da Igreja para a
defender contra as iniqüidades do século, para ajudar os
crentes a resistir ao Demônio que “anda ao redor, como um
leão que ruge, buscando a quem devorar”(I Pd 5,8).
Esta luta contra o Demônio, a qual caracteriza a figura do
Arcanjo Miguel, é atual também hoje, porque o demônio está
vivo e operante no mundo. Com efeito, o mal que nele existe,
a desordem que se verifica na sociedade, a incoerência do
homem, a ruptura interior da qual é vitima não são apenas
conseqüências do pecado original, mas também efeito da ação
nefanda e obscura de satanás, deste insidiador do equilíbrio
moral do homem, ao qual São Paulo não hesita em chamar “o
deus deste mundo”(2Cor 4,4), enquanto se manifesta como
encantador astuto, que sabe insinuar-se no jogo do nosso
agir, para aí introduzir desvios tão nocivos, quanto às
aparências conformes às nossas aspirações instintivas. Por
isto o Apóstolo das Gentes põe os cristãos de sobreaviso,
quanto às insídias do Demônio e dos seus inúmeros sectários,
quando exorta os habitantes de Éfeso a revestirem-se “da
armadura de Deus para que possam resistir às ciladas do
Demônio. Porque nós não temos de lutar contra a carne e o
sangue, mas contra os Principados, contra os Dominadores
deste mundo tenebroso, contra os Espíritos malignos
espalhados pelos ares”(Ef 6,11-12).
A esta luta nos chama a figura do Arcanjo São Miguel, a quem
a Igreja, tanto no Oriente como no Ocidente, jamais cessou
de tributar culto especial. Como se sabe, o primeiro
Santuário a ele dedicado surgiu em Constantinopla por obra
de Constantino: é o célebre Michaelion, ao qual se seguiram
naquela nova Capital do Império outras numerosas igrejas
dedicadas ao Arcanjo. No ocidente o culto de São Miguel,
desde o século V, difundiu-se em muitas cidades como Roma,
Milão, Piacenza, Gênova, Veneza; entre tantos lugares de
culto, certamente o mais famoso é este do monte Garagano, o
Arcanjo está representado sobre a porta de bronze, fundada
em Constantinopla em 1076, no ato de abater o Dragão
infernal. É este o símbolo, com o qual a arte no-lo
representa e a liturgia faz que o invoquemos. Todos recordam
a oração que há anos se recitava no final da Santa Missa:
“Sancte Michael Archangele, defende nos in proelio”; dentro
em pouco, repeti-la-ei em nome da Igreja toda.
E antes de elevar tal oração, a todos vós aqui presentes,
aos vossos familiares e a todas as pessoas que vos são
queridas concedo a minha Benção, que faço extensiva também a
quantos sofrem no corpo e no espírito.” Oração
São Miguel Arcanjo,
anjo da paz, pacificai a nossa alma de tudo o que a
atormenta. Daí a paz à nossa Pátria. Daí a paz ao mundo.
Amém.
Do Livro :
São Miguel Arcanjo! Uma poderosa arma para restaurar sua
família!
Autor:Adriano Couto Campos, fundador da Obra de
São Miguel Arcanjo.
Divinópolis - Minas
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Fonte:
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