
Pe. Marcélo Tenorio
Chegou-me ao
conhecimento um chamado “movimento Salvai Almas” que, aparentemente
católico, parece ser uma associação de fiéis devotos das santas almas do
purgatório. Li vários livros deste “movimento” – como eles gostam de se
chamar – inclusive estive em contato direto com um dos membros, o mesmo que
me emprestou os citados livros.
Interessante é
que este senhor começou a fazer direção espiritual comigo. Falando-me sobre
o movimento, pedi-lhe livros. Li, analisei e vi, de súbito, todas essas
heresias denunciadas aqui neste artigo. Como sacerdote exortei-o a abandonar
essas "revelações", visto que estão contra o Magistério Infalível da Igreja,
e, claro, não poderia eu dirigir alguém que aderisse formalmente à heresia.
Tomei ciência de
que este senhor atacou-me em testemunho pessoal postado na net, como podem
ler abaixo. Isso só comprova a desobediência ao clero e à Igreja, o ódio por
todos que se opoem a estas fantasias. São comuns os ataques do "vidente"
Cláudio aos sacerdotes, seus seguidores não poderiam ser diferentes. Leiamos
estas pérolas que comprovam o sectarismo latente deste "movimento":
"... procurei divulgar a um sacerdote piedoso que se propôs a ser meu
diretor espiritual, porém descobri uma falsa humildade em sua batina preta,
pois me chamou atenção dizendo que os livros eram hereges e que estava em
pecado, me pressionou na parede dizendo que só continuaria sendo meu diretor
espiritual se eu admitisse não acreditar nas mensagens do grupo Salvai
Almas, eu afirmei com todas as letas que eu acreditava pois a nossa Senhora
esta na frente desta obra, pois o padre deixou transparecer a sua
insatisfação em aceitar leigos na frente de obras, descartando totalmente a
possiblidade da mensagens de Nossa Senhora serem verdadeiras..."
"... porém o não do padre foi o meu sim definitivos para o Grupo Salvai
Almas, me apresentei ao grupo de caminhantes dos cemitérios de Campo Grande
e passei a visitar diariamente um todos os dias..." (Cf: http://www.recadosaarao.com.br/index.asp?id_artigo=4162).
Uma pena! Tão
humilde este senhor, que preferiu seguir as fábulas, caminhar pelos
cemitérios, ouvindo os mortos...
O padre
orgulhoso aqui, prefere escutar e seguir a Igreja!
Tudo se baseia
em pretensas revelações particulares de Nosso Senhor, Nossa Senhora, São
Miguel Arcanjo e outros santos a um casal com pseudônimos de “José de
Nazaré” e “Maria Angelina”. Segundo o relato, ambos são simples, humildes e
moram numa casinha de madeira de pinus. Coloca-se que possuem um diretor
espiritual, um sacerdote, entretanto, este mesmo sacerdote não tem nenhuma
autoridade sobre eles, o que é estranho, pois em toda história da Igreja
todos os santos e místicos se colocaram em obediência absoluta ao Diretor
Espiritual, visto que o demônio engana e pode colocar nas almas pretensões
de santidade.
Vejamos o relato
do livro “Fundamentos da Salvação”, sobre o assunto. A separação numérica é
nossa.
1. Rejeição à legítima interferência
da Igreja pelo estudo e análise.
“Eles têm acompanhamento espiritual de sacerdote, mas Nossa Senhora...
(1) ... não pede que ele “avalize” este livro, para...
(2) ...evitar que ele seja mais “perseguido” do que já é, em vista...
(3) ... do magistério que exerce.
Em mensagem a José, datada de 02/10/98 JESUS diz claramente...
(4) ... que exime os sacerdotes em questão, de avalizar esta obra, porque a
Igreja não encontraria formas de a justificar, mas que a próxima terá que
ser analisada e avalizada por eles. Para sermos justos, eles até que se
estavam...
(5) ... dispondo a prefaciar esta obra, fazendo algumas modificações. Mas
Jesus e Maria, em mensagens individuais e claras dizem a ambos:
(6) O livro fica como está!
Ordem cumprida, este livro fica pois,
(7) ... apenas a cargo dos leigos. E que o Senhor nos ajude!”
Analisemos por
partes.
(1, 2, 3) A
autora do livro é a própria “Virgem Maria” que não aceita que este livro
seja analisado pelo clero para que ele, o livro, não venha a ser perseguido.
Que estranho e
contraditório. Não é essa a doutrina que Nosso Senhor deixou sobre a sua
Igreja, fundada sobre os apóstolos, com a missão de Ensinar. Ainda sobre
ela, diz o divino mestre: “quem vos ouve, a mim ouve (Lc 10,16).
Aqui, está uma
suposta Maria, que certamente não é Nossa Senhora, pois a Mãe de Deus é
doutora em teologia e doutrina católica e esta aqui parece protestante e
anti-clerical, visto que, sobre um assunto que deve ser analisado pela
autoridade da Igreja, esta Maria simplesmente rejeita e não aceita a análise
do clero, temendo que o livro seja perseguido. Mas que “Maria” medrosa! Está
com medo de que, Maria?! Parece aquela outra Maria, da nossa literatura
brasileira...
(4). Esta
“Maria” “exime” os sacerdotes deste trabalho, porque a Igreja não
encontraria “formas de justificar”.
“Xiii!!!” Aqui o
“caldo entornou”, como diria o mineiro. É grave, gravíssimo, e de certa
forma importante esta colocação da “Maria perigosa”. Grave, porque é uma
colocação absurda, visto que a Santa Igreja é Mãe e Mestra da Verdade e
recebeu a Verdade plena de seu divino fundador, de forma que, com a morte do
último apóstolo, encerrou-se toda revelação. Nada existe mais para nos ser
revelado sobre a sagrada doutrina, pois “vos ensinei tudo que ouvi de meu
Pai” (Jo 15, 15). Dizer que a Igreja não tem condições de emitir um juízo em
matéria de fé, porque há algo que ela não sabe, desconhece, é heresia
grosseira.
Esta heresia
grosseira é o dado importante para percebermos aqui a incompatibilidade com
a sagrada doutrina, desmascarando sua pretensa origem divina. Como Deus não
pode errar nem se contradizer, logo, podemos afirmar categoricamente: são
falsas tais revelações. Não são católicas tais revelações! Não são da Virgem
Maria, Mãe de Deus tais revelações!
No final da
citação, “Jesus e Maria”, chancelam dizendo que os padres não devem mexer no
livro: “fica como está, apenas a cargo dos leigos”.
Nossa Senhora,
depois de tantos séculos intervindo no mundo, teria resolvido tornar-se
revolucionária? Ela que sempre ordenava que os videntes procurassem o padre,
o bispo e a eles se submetessem, aqui resolve fazer diferente, porque há
coisas que ela revelou que nem a Igreja sabe! Absurdo!
Isso nos faz
lembrar São Paulo que nos diz:
“Mesmo que um anjo do céu vos ensine algo
diferente do nosso ensino, seja excomungado!” (Gl 1, 8-9)
2. Rejeição ao ensino por parte do
clero
Ora, percebemos
algo estranhíssimo, não só contra a prática comum da Igreja, mas sobretudo
no que se refere a autoridade do sacerdote que está dentro do tríplice múnus
que Nosso Senhor conferiu à Igreja: Santificar, Ensinar e Governar. O Padre
age na própria pessoa de Cristo e, é sua função, guiar as almas para Deus.
Na direção espiritual caberá ao sacerdote conduzir o dirigido por caminhos
seguros, na reta doutrina, e numa equilibrada prática da fé e da
espiritualidade. De forma que, Cristo sempre fala através do diretor
espiritual, cabendo-lhe ao dirigido a pronta obediência. Em apenas um caso
deve a alma desobedecer ao seu diretor: quando ele o induzir contra a Fé e a
Moral. Fora disso, deve-lhe acatamento.
Se lermos a vida
de Santa Teresa d´Avila, encontraremos várias exortações sobre a necessidade
de se ter um diretor espiritual. Sem ele a alma estará certamente exposta às
mentiras e enganos do diabo.
São Pio de
Pietrelcina nada fazia sem que tivesse o aval de seu diretor espiritual. E
se era um santo cheio de carismas e portentosos milagres, tudo, tudo mesmo,
ele submetia ao seu pai espiritual e nada fazia sem ele. Deixava sempre o
discernimento, a última palavra, ao mestre de sua alma, como pode-se
facilmente ver no livro que contém suas cartas ao seu Diretor.
Como dizia o
Cônego Ogier: “Aquele que se
constitui seu próprio Mestre, torna-se discípulo de um louco”.
Cassiano, S.
Francisco de Sales e Leão XIII, reforçam a doutrina perene da Igreja sobre a
necessária direção espiritual, vejamos:
“Encontramos nas próprias origens da
Igreja uma célebre manifestação desta lei: posto que Saulo, respirando
ameaças e matança, tivesse ouvido a voz do mesmo Cristo, e lhe houvesse
perguntado: ‘Senhor que queres que eu faça?’ – É para damasco, a Ananias que
é enviado... Isto mesmo é o que se tem praticado na Igreja: é a doutrina que
unanimemente professaram todos quantos no decorrer dos séculos, brilharam
pela ciência e santidade” ( Leão XIII).
Fala o grande
doutor da mística católica, São João da Cruz, sobre a vontade de Deus em
relação ao Diretor Espiritual:
“Deus gosta tanto que o homem se submeta à
direção de outro homem que não quer de maneira alguma ver-nos dar pleno
crédito às verdades sobrenaturais que Ele próprio comunica, antes de elas
terem passado pelo canal duma boca humana”.
O livro em
questão começa já atestando que a autoria é de “Nossa Senhora” e lógico, ela
sendo a autora, também cabe-lhe a dedicação de sua obra. Ela oferece também
sua dedicatória, vejamos:
“DEDICATÓRIA DE NOSSA SENHORA
A Américo Odorizzi e excelentíssima família, pelo desvelo e amor com que têm
colocado sua Editora a serviço desta obra de Deus. Que Deus os abençoe e a
seus funcionários.”
Em seguida vem
as ameaças a todos aqueles que não acreditarem no que está escrito no livro:
“Quero alertá-los do fato de que: “Cada livro vale a libertação de 100
almas do purgatório.” Portanto, cada livro retido, impede a libertação
destas 100 almas. Ai dos que impedem! Terão o peso de 100 por 1. Arcarão com
as responsabilidades! Reza por eles! Esta obra também foi feita para eles!
Amém! Eu vos abençôo a todos, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo
Amém! Maria Mãe do Universo!”
3. Esta pretensa “revelação” é
apresentada como obrigatória para todos, quase como uma Revelação Pública.
Vejamos: essa
“Maria”, não só escreve livros, mas também muda, sem comunicar ao Papa, a
doutrina da Igreja em relação às revelações particulares.
Sabemos que
nenhum fiel católico está obrigado a dar acatamento de fé às chamadas
revelações privadas, mesmo aquelas, de certa forma, reconhecidas pela
Igreja, como as aparições da Virgem em Lourdes, Fátima, Guadalup, visto que
nada acrescentam ao depósito da Fé.
Ninguém comete
pecado se não acreditar em Fátima, nas aparições de Nossa Senhora à Santa
Catarina, etc., porque tudo o que era necessário à nossa salvação já nos foi
revelado por Nosso Senhor e nos é ensinado pela suprema autoridade do
Magistério da Igreja e é o que chamamos de Revelação Pública, a qual todos
estão obrigados a crer. Vale salientar que em nenhuma aparição autêntica de
Nossa Senhora houve o ensino de uma nova doutrina, de uma nova verdade,
visto que TUDO já nos foi transmitido.
Qualquer
pretensa aparição que venha com uma nova mensagem, com algo novo, não provêm
do Espírito Santo, mas do pai e mestre da mentira, o diabo, para sufocar a
verdade e enganar os fracos.
O que ensina a
Igreja sobre as revelações particulares:
Bento XIV:
“Apesar de uma adesão de fé
católica não pode e não pode ser dado a revelações assim aprovadas, ainda,
uma adesão de fé humana, feita de acordo às regras de prudência lhes é
devido, pois, de acordo com estas regras tais revelações são prováveis e
dignas de crédito piedoso”.
Catecismo da Igreja Católica:
Cristo, o Filho de Deus feito
homem, é do Pai, a Palavra perfeita e insuperável em que ele disse tudo; Não
haverá outra palavra do que este A economia cristã portanto, uma vez que é a
nova e definitiva aliança, jamais passará, e nenhuma nova revelação pública
é de se esperar, antes da gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo
como João da Cruz diz: "Qualquer pessoa que pretenda consultar a Deus ou
alguma visão ou revelação seria culpado não só de comportamento tolo, mas
também de ofendê-lo, por não pôr os olhos totalmente em Cristo e vivendo com
o desejo por alguma outra novidade” (65-66).
4. Fuga de um discurso racional da Fé:
desprovida de análise teológica e filosófica.
O livro em
questão faz um discurso, em nome de Nossa Senhora, contra o que se chama de
racionalização.
Vejamos:
“ASSUNTO DO LIVRO
O tema que abordaremos neste livro, pode-se dizer que é de teor bastante
“obscuro”, dentro da Igreja Católica, Apostólica, Romana, Una e Santa, por
se tratar de assunto pouco estudado e com poucas referências na Bíblia: A
SANTA IGREJA PADECENTE - O PURGATÓRIO
Obscuro dizemos e achamos nós, que racionalizando sempre e tudo, muito pouco
ou quase nada entendemos sobre a Divina Misericórdia, sobre a Justiça de
Deus e sobre como funciona o elaborado e milimétrico processo de salvação
das nossas almas.
Por isso, ANTES de questionar, deixemos que Nossa Senhora esclareça:
(...)
Muitas indagações haverão! Muita polêmica, por tratar-se de assunto obscuro
para a Igreja! Eu, porém, não vejo nenhuma obscuridade nisto...” (os grifos
são nossos).
5. Desconhecimento pleno da Doutrina
sobre a Igreja
Aqui tudo volta.
Há algo tão obscuro, mas tão obscuro que nem a Igreja saberia, apenas Nossa
Senhora! Eis mais um erro grosseiro e, desta vez, em relação à eclesiologia.
A Igreja é colocada como associação de fiéis, mas não como mistérica, vinda
do coração da Trindade e tendo a sua consumação na glória.
Nossa Senhora,
por mais excelsa e sublime que seja, é sempre filha da Igreja no sentido de
que esta, como nos ensina Sto. Agostinho, é maior que a Virgem Maria. Ora,
dizer que a Igreja nada sabe e a Virgem sabe de coisas que a Igreja
desconhece, é, na verdade, nada entender sobre a doutrina católica romana,
logo, fica mais que comprovado que não há possibilidade de que seja divina
esta pretensa revelação, pois ela não suportaria um mínimo confronto com o
Catecismo Romano.
É elementar para
a eclesiologia a origem divina da Igreja por sua cabeça, o Verbo encarnado,
e além de sua fonte de salvação para todos os homens, nela está toda a
Verdade sobre Deus, sobre o mundo e sobre o homem. Verdade esta revelada e
confiada à sua hierarquia para que seja ensinada a todos os homens: “Ide e
ensinai”. Só ensina quem sabe. A Igreja possui a verdade plena, por isso o
papa João XXIII pode proclamá-la “Mater et Magistra” da Verdade.
Mas percebamos
que, para fugir desta enrascada, o próprio livro condena a atitude de se
buscar a explicação racional, convocando todos a darem, sem questionamentos,
adesão de fé a tudo isso. Ou seja: deve-se crer, sem duvidar, que
verdadeiramente é Nossa Senhora e o céu que estão conduzindo tudo isso.
Ora, ora! Quanto
mais essa “Maria” escreve, pior fica. A fé não é um sentimento, um “achismo”,
nada disso. Isso não é católico. É subjetivismo, filho do modernismo, além
de conter uma boa pitada de neo-liberalismo religioso que é, justamente, a
fuga da submissão à legítima autoridade da Igreja.
Ensina Santo
Tomás de Aquino que a Fé é a adesão da inteligência à Verdade e, claro, esta
Verdade ensinada infalivelmente pela a Igreja.
Num belo
documento que tratava da Fé mais a Razão, o Santo Padre João Paulo II
colocava:
“6. Credenciada pelo facto de ser
depositária da revelação de Jesus Cristo, a Igreja deseja reafirmar a
necessidade da reflexão sobre a verdade...
“17. Não há motivo para existir concorrência entre a razão e a fé: uma
implica a outra, e cada qual tem o seu espaço próprio de realização. Aponta
nesta direcção o livro dos Provérbios, quando exclama: « A glória de Deus é
encobrir as coisas, e a glória dos reis é investigá-las » (25, 2). Deus e o
homem estão colocados, em seu respectivo mundo, numa relação única. Em Deus
reside a origem de tudo, n'Ele se encerra a plenitude do mistério, e isto
constitui a sua glória; ao homem, pelo contrário, compete o dever de
investigar a verdade com a razão, e nisto está a sua nobreza...
“Indo mais longe, S. Tomás reconhece que a natureza, objecto próprio da
filosofia, pode contribuir para a compreensão da revelação divina. Deste
modo, a fé não teme a razão, mas solicita-a e confia nela. Como a graça
supõe a natureza e leva-a à perfeição, assim também a fé supõe e aperfeiçoa
a razão. Esta, iluminada pela fé, fica liberta das fraquezas e limitações
causadas pela desobediência do pecado, e recebe a força necessária para
elevar-se até ao conhecimento do mistério de Deus Uno e Trino. Embora
sublinhando o carácter sobrenatural da fé, o Doutor Angélico não esqueceu o
valor da racionabilidade da mesma; antes, conseguiu penetrar profundamente e
especificar o sentido de tal racionabilidade. Efectivamente, a fé é de algum
modo « exercitação do pensamento »; a razão do homem não é anulada nem
humilhada, quando presta assentimento aos conteúdos de fé; é que estes são
alcançados por decisão livre e consciente”
(Cf. Carta Encíclica Fides et Ratio, João Paulo II).
Encontra-se
também nestas “revelações” o ensinamento dado por “Maria”, sobre o chamado
“grande purgatório”. O que seria isso?
Bem, essa Maria
explica de forma inusitada que nem Santo Tomás de Aquino, o doutor angélico,
conseguiu formular em sua Suma Teológica.
Vejamos:
“Não é, também, que Deus tenha mudado Sua santa justiça, ou “abrandado”
a Sua santa lei. O problema, é que se tornaram tantas as ocasiões de pecado
para o homem de hoje, que é quase impossível para uma pessoa qualquer, mesmo
vivendo santamente, passar alguns minutos sem pecar. E são bilhões de
pecados que se cometem por dia no mundo...”
Então, Nosso
Senhor o que faz? Muda as regras. Cria o grande purgatório para dar uma
segunda chance àqueles que morrem em pecado mortal!
Vejamos esta
esdrúxula explicação:
“O Grande Purgatório é, na verdade, um quase inferno. A única diferença
é que, mesmo ali, a alma sabe que, um dia, perto ou longe, ela irá para os
braços do Pai Eterno.
Quanto tempo se fica ali? Um segundo ou por milênios seguidos. Tudo depende
do estado da alma. Um exemplo de que uma pessoa pode ficar tantos anos no
Purgatório foi-nos dado em Fátima na 2ª das aparições, onde, ao ser
questionada pela Jacinta uma das videntes, a respeito de uma senhora X,
falecida há já 4 anos, portanto em 1913, Nossa Senhora respondeu que ela
estava no Purgatório e “vai ficar lá até o final dos tempos”...
Sabe-se hoje que milhões de pessoas no mundo, conhecedores desta revelação,
já rezaram exaustivamente por esta alma, entretanto, ela pode estar lá,
ainda hoje sofrendo. Porque as orações não a alcançam.
Neste local, a alma “estaciona” e dali não sai, até ter pago integralmente a
sua pena, porque as graças não a conseguem alcançar. Eis aí o Grande
Purgatório...
Bem sabemos a imensidade de pecados mortais que se cometem hoje no mundo e
sabemos que milhares de pessoas, morrem hoje em toda a terra, sem receber os
sacramentos e sem poderem se preparar para outra vida. Assim, nosso
entendimento leva a imaginar que todas estas pessoas morrem eternamente.
Ora, isso seria uma imensa vitória do louco satanás...
Assim, o que o Arcanjo São Miguel tem revelado a José de Nazaré e Maria
Angelina, é que existe este imenso “vácuo”, onde se manifesta a Eterna
Misericórdia deste nosso Deus de Amor. Existe sim um local, onde as almas
dos que morrem, mesmo com alguns pecados ditos por nós “mortais”, podem
encontrar AINDA a salvação: O Grande Purgatório. Um local (ou estado de
alma) imenso e impressionante. E ao mesmo tempo terrível. Ele se encontra
exatamente as “portas do inferno” e nele, “malham” as almas que “quase”,
caíram no abismo negro do sem Deus. Porque o espaço entre o Inferno e o
Grande Purgatório é de apenas “milímetros”.
Enquanto ali permanecem, as almas não recebem as graças das orações, nem de
militantes nem dos glorificados. Quer dizer, para elas não adianta rezar,
nem mesmo mandar rezar as poderosíssimas santas Missas, enquanto eles
permanecerem naquele abismo.”
Aí está uma
doutrina estranha à Fé Católica sobre o que se chama aqui de “Grande
Purgatório”, onde ficam as almas que morreram em pecado mortal. Local onde
as orações nem chegam. Até mesmo o augusto sacrifício da Missa torna-se
ineficaz.
Que absurdo! Que
disparate! Que heresia! E o pior: pretensamente atribuídas à Santíssima
Virgem Maria e a São Miguel Arcanjo.
O que acabamos
de ler não é doutrina católica, mais um verdadeiro delírio, que pode enganar
as mentes fracas.
Vejamos o que a
Santa Igreja nos ensina sobre a realidade do purgatório:
“Há também um fogo de expiação, no qual
por certo tempo, se purificam as almas dos justos, até que lhes sejam
franqueado o acesso da Pátria Celestial, lugar onde nada de impuro pode
entrar”
(Cf. Catecismo Romano, V, artigo 1-3).
Fala o Dogmático
Concílio de Trento, em sua seção XXV, no decreto sobre o Purgatório:
“983. Já que a Igreja Católica, instruída
pelo Espírito Santo, apoiada nas Sagradas Letras e na antiga Tradição dos
Padres, ensinou nos sagrados Concílios e recentemente também neste Concílio
Ecumênico, que existe purgatório [cfr. n° 840], e que as almas que nele
estão detidas são aliviadas pelos sufrágios dos fiéis, principalmente pelo
sacrifício do altar [cfr. n° 940, 950], igualmente não seja permitido
divulgar ou discorrer sobre assuntos duvidosos ou que trazem a aparência do
falso. Sejam ainda proibidas como escandalosas e prejudiciais aos fiéis
aquelas coisas que têm em vista provocar a curiosidade ou que reascendem a
superstição”.
“Por ali se deve defender a doutrina da
lei divina que exclui do reino de Deus não só os infiéis, mas também os
fiéis fornicadores, adúlteros, efeminados, sodomitas, ladrões, avarentos,
beberrões, maldizentes, gatunos (1 Cor 6, 9s) e todos os que cometem pecados
mortais, dos quais se podem abster com o auxílio da graça divina, e pelos
quais se separam da graça de Cristo [cân. 27].
835. Cân. 25. Se alguém disser que o justo peca em qualquer obra boa, ao
menos venialmente, ou (o que é mais intolerável ainda) mortalmente; e que
por isso merece penas eternas, não se condenando [porém] somente porque Deus
não imputa aquelas boas obras para a condenação — seja excomungado [cfr. n°
804].
Em suma:
1. A Igreja
ensina a existência do purgatório, que é um estágio de purificação para as
almas que morreram na amizade de Deus, ou seja, em pecado venial e, que, por
isso, precisam de uma purificação, antes de entrarem no gozo da visão
beatífica. De forma que costumamos chamá-las de “santas almas”, visto que a
sua salvação é garantida, logo após a etapa purificatória.
2. Os que morrem
em pecado mortal, morrem excluídos da Graça de Deus, recebendo assim a
condenação eterna no inferno.
3. As orações,
penitências, mortificações que os fiéis oferecem pelas santas almas, lhes
são de grande alívio e, até podem contribuir para uma imediata saída do
purgatório.
4. Não existe
maior oração de grande eficácia para as almas do que o Santo Sacrifício da
Missa. Atesta a sagrada doutrina, como também o testemunho dos santos
místicos. Muitas almas são libertadas quando se celebra os sagrados
mistérios.
Portanto não são
católicas estas afirmações contidas neste livro de que:
1. Por causa do
aumento de pessoas que morrem em pecado mortal, Deus teria criado o chamado
“Grande Purgatório”, com possibilidade de salvação, após longo período de
sofrimento.
2. Que nesse
grande purgatório são sem valor a comunhão dos santos e as orações,
sacrifícios, mortificações, que nenhuma oração pode lá chegar.
3. Que mesmo o
Santo Sacrifício da Missa é ineficaz para as almas do grande purgatório.
Inexiste na Fé
Católica essa estranha doutrina do grande purgatório e, tudo o que foi dito
acima, jamais poderia ter sido dito por Nossa Senhora e São Miguel Arcanjo
porque constituem verdadeiras heresias e, como tais, condenadas pelo
Concílio de Trento.
Quem as divulga,
quem as defende, incorre em pecado grave e em pena de Excomunhão, como
podemos ver claramente no Cân. 25, da Justificação, do sagrado concílio.
Concluindo, exortamos a todos que
mantenham distância deste movimento, sobretudo de seus escritos cheios de
erros contra a Fé.
O demônio, sendo
o pai da mentira, sabe dissimular um mal com roupagem de bem. A mentira
sempre é tentativa de maquiar a Verdade, por isso uma boa mentira sempre, à
primeira vista, parece-nos verdadeira em sua máscara. Todavia, basta
aprofundá-la e submetê-la a crivos irrefutáveis que tudo desmorona e
aparece, enfim, o seu verdadeiro rosto.
Dou a todos um
antídoto contra essas novidades: submetam tudo ao Magistério da Igreja,
visto que a Igreja não pode errar, porque Cristo não erra.
Lembremo-nos,
novamente do conselho paulino:
“Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo vos
anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja
excomungado!”(Gl 1, 8-9)
Mas alguns
poderão objetar:
“Ah! Mas isso mudou a minha vida. Era ruim, agora sou bom, etc!”
“Ah, tem padres que acreditam, tem bispos que apóiam...”
“Eu sinto que é verdadeiro, porque me faz bem crer...”
Tudo isso são
balelas. Lutero era padre. Judas, bispo. Um padre, um bispo e até mesmo um
papa, estão a serviço da Fé imutável da Igreja, nada podendo subtrair ou
acrescentar.
Fujamos destas
novidades que põem em risco a nossa fé. Fiquemos com as palavras sábias de
Pio XI:
“A todos quanto agora sentem sede da
Verdade, dizemo-lhes: ide a Tomás de Aquino.”
Neste livro
“Fundamentos da Salvação”, existem outras coisas curiosamente perigosas, tal
como a “Ponte da Salvação”, óleos sagrados, freqüentes mensagens e
comunicações com mortos que precisariam ser melhor analisadas pelo
magistério, mas fiquemos por aqui. É como um afeito dominó. Desmascarado
suas falácias, todo o resto cede.
É verdade que
cabe aos bispos diocesanos, como doutores que são, e, em última instância à
Santa Sé Apostólica, uma formal análise e condenação desses escritos. No
entanto, não exime de nós padres o grave dever de orientar os fiéis sobre
tais erros e heresias. Se vejo um ladrão roubando alguém, posso,
tranquilamente gritar “pega ladrão!”, mesmo antes da autoridade competente
declará-lo de fato um ladrão. O óbvio não se julga, se constata.
De fato, o que
vimos acima é tão verdadeiro quanto “santa-do-mel” ou quanto uma nota de
duzentos centavos novos.
“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão
nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias
concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas
tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista,
cumpre o teu ministério.”
(2 Tm 4.1-5 )
Fonte - http://www.padremarcelotenorio.com/2011/10/sobre-o-movimento-salvai-almas.html
— by Clevinho Maia
http://www.arcanjomiguel.net