Quem
não acredita na existência do
demônio não pode dizer-se católico
"Qualquer pessoa que não acredite na
existência do demônio, não pode
dizer-se católica". É o que aponta o
presidente da Associação
Internacional para o Ministério de
Libertação da Renovação Carismática
Católica (RCC) e vice-presidente da
Associação Internacional de
Exorcistas, Padre Rufus Pereira.
O exorcista autorizado pelo Vaticano
e pároco da Arquidiocese de Bombaim,
na Índia, esteve na sede da
Comunidade Canção Nova, em Cachoeira
Paulista (SP), entre os dias 14 e 23
deste mês. Conduziu dois
Acampamentos de Cura e Libertação,
um retiro com cerca de 100 padres e
atendeu em coletiva de imprensa o
Sistema Canção Nova de Comunicação.
Para padre Rufus, o motivo pelo qual
muitos na Igreja não se preparam
para ajudar os fiéis que sofrem
interferência do demônio ocorre pelo
fato de nunca terem tido uma
experiência com o sofrimento dos
possessos e nem terem visto como a
libertação pode acontecer.
O sacerdote também é diretor do
Instituto Bíblico Carismático
Católico e foi recentemente
integrado ao órgão internacional da
RCC, o ICCRS, em Roma.
1. Canção Nova: A existência do
demônio e sua ação sobre o mundo é
algo que está na doutrina da Igreja.
Mas por que muitos não acreditam na
existência e no poder dele sobre a
humanidade?
Padre Rufus: Bem, por um lado está
bem claro em certo entendimento, no
entendimento dos católicos, por meio
da Bíblia, de todos os documentos da
Igreja nesses dois mil anos e de
todos os ministérios passados,
nesses últimos anos, estão certos de
que o demônio existe.
Infelizmente, muitos professores
acadêmicos - tenho medo de que até
homens da Igreja - negam a
existência do demônio. Padre
Gabrielle Amorth, presidente da
Associação dos Exorcistas, na qual
fui vice-presidente por 10 anos, é
muito firme em dizer que qualquer
pessoa que não acredite na
existência do demônio, não pode
dizer-se católica.
A razão pela qual eu acredito que
muitos neguem a existência do
demônio é porque eles nunca tiveram
uma experiência com os sofrimentos
de outras pessoas com relação a isso
e nunca viram como elas podem ser
libertas. Eu desafio todos os homens
de dentro da Igreja: venham e vejam
apenas um caso e saberão que o
inimigo existe e que Jesus é o único
que pode libertá-los.
2. Canção Nova: E a formação dos
futuros sacerdotes, em grande parte
dos seminários, que não aborda temas
como a ação do demônio e não os
ensina a lidar com este tipo de
situação?
Padre Rufus: É muito, muito triste
que, – os que estão sendo treinados
para ser soldados de Cristo e
alcançar a vitória para o bem de
todos –, não saibam quem é realmente
o inimigo de Deus. Felizmente, há
alguns poucos lugares nos quais está
havendo algumas mudanças. Um exemplo
disso é que o reitor do seminário em
Praga, na capital da
Tchecoslováquia, convidou-me para
dar um curso de cura e libertação
aos seminaristas, como professor
palestrante.
Na Índia, há duas grandes
universidades de teologia, onde sou
professor palestrante de teologia
bíblica e ensino isto para todos
aqueles que estão fazendo doutorado
e PhD, todos os anos. Uma semana
falo sobre o ministério de cura de
Jesus; outra, sobre o ministério de
libertação de Jesus. Uma pequena
mudança está acontecendo, mas não é
rápido o suficiente.
A Conferência dos Bispos da Itália
teve a coragem de escrever uma carta
na qual eles, unanimemente, dizem
que os dois grandes problemas
enfrentados na Igreja da Itália é
que, de um lado, as pessoas, que se
dizem católicas, são muito
supersticiosas; do outro, que os
católicos não estão cientes de que
estão buscando ajuda em seitas
inimigas.
3. Canção Nova: Qual é a realidade
da América Latina, mais
especificamente do Brasil, quanto ao
trabalho de ministros de exorcismo
no atendimento às pessoas?
Padre Rufus: Acredito que esta é uma
situação também da América Latina,
onde as pessoas mudam constantemente
de religião. Elas são muito
supersticiosas, exemplo disso é que
elas acreditam muito em aspectos
errados da religião e, por outro
lado, elas estão indo atrás do
inimigo. De forma que os trabalhos
da Igreja são dois: alertá-las sobre
o que Jesus disse sobre o perigo de
ir até o inimigo e, por outro lado,
mais importante, é apresentá-las a
alternativa de uma forma poderosa em
que Jesus, sozinho, pode resolver
todo problema maligno, curá-las de
qualquer doença física ou
espiritual, libertá-las de qualquer
opressão, seja ela humana, demoníaca
ou de qualquer outro tipo.
4. Canção Nova: Qual a contribuição
que a Renovação Carismática Católica
(RCC) trouxe para a formação dos
sacerdotes ministeriados em cura e
libertação?
Padre Rufus: Bem, a Renovação
Carismática Católica tem realizado
duas coisas maravilhosas, como o
ministério de cura, que é um
presente da RCC para a Igreja e
também o ministério de libertação.
Infelizmente, enquanto muitos na RCC
promovem e acreditam no ministério
de cura e libertação, muitas coisas
ainda não são feitas – até mesmo
pela própria RCC –, para alertar as
pessoas sobre a importância da
libertação e para promover esse
ministério. Então, a RCC, por si
mesma, precisa fazer muito mais para
conscientizar as pessoas sobre o
ministério da cura e, especialmente,
sobre o ministério de libertação. Eu
sou muito grato porque, aqui no
Brasil, a Canção Nova pensa da mesma
forma que eu.
5. Canção Nova: Qual a recomendação
para um padre que se sente
despreparado para lidar com alguém
influenciado pelo demônio?
Padre Rufus: Muitas vezes, as
pessoas não têm conhecimento sobre
este assunto, e a primeira coisa a
fazer é ler os melhores livros
disponíveis para esses tipos de
problema. Um bom exemplo é ler o
livro de Frei Francis chamado
"Libertação dos espíritos malignos".
No apêndice desta obra há uma
entrevista que ele fez comigo, há
alguns anos. Você também pode ler os
meus pequenos livros sobre alguns
artigos sobre a ação do Espírito
Santo, que nos explica que a nossa
ignorância sobre o assunto é o
grande problema.
Devido à falta de experiência,
normalmente, a única forma de saber
o que fazer é estar presente em um
caso com um bom exorcista de
libertação e ver o que acontece.
Muitas pessoas, que fazem parte
desses ministérios, como o padre
Manuel Sabino (fiquei sabendo que
ele esteve aqui na Canção Nova), me
viram trabalhando com esses casos
por dias e semanas, e, agora, estão
caminhando com suas próprias pernas.
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